| Até onde vão as reservas? |
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Dia 1.º de junho, as reservas externas ultrapassaram os US$ 250 bilhões, 5% acima da posição do final do ano passado, de US$ 239 bilhões. Pergunta há meses sem resposta: até onde vai essa escalada? Há alguns anos os administradores públicos calculavam que as reservas não precisavam passar dos três meses de importação (o que hoje daria US$ 45 bilhões), volume considerado suficiente para enfrentar eventuais surpresas ruins no comércio exterior. Logo se consolidou a percepção de que os fluxos financeiros podem ser substancialmente mais volumosos do que os comerciais e que é preciso amontoar provisões para enfrentar as enormes transferências de capitais que acontecem nas crises.Essa não deixa de ser uma postura macroeconômica insustentável a longo prazo porque as reservas só crescem se há superávits no balanço de pagamentos e esses superávits só existem quando outros países enfrentam déficits correspondentes no balanço de pagamentos. Ou seja, desequilíbrios assim não podem se manter por muito tempo. Independentemente disso, é preciso saber o que mais convém ao Brasil. Ao final de 2008, o País tinha reservas de US$ 207 bilhões e elas foram suficientes para blindar a economia no auge da turbulência global. Foi, em grande parte, por esse volume de reservas que a maior crise desde os anos 30 chegou por aqui como a marolinha da qual se gabou o presidente Lula. Pode-se argumentar que um reforço nesse bolão não tem contraindicações. Mas parece próximo o momento em que é preciso perguntar se excesso de musculatura não atrapalha mais do que ajuda. O aumento de reservas exige expansão da dívida bruta na medida em que o Banco Central precisa retirar com a venda de títulos públicos os recursos usados para comprar os dólares das reservas. (Não se trata de expansão da dívida líquida porque do outro lado há o ativo em dólares.) Os títulos públicos lançados para esse enxugamento produzem o inconveniente de que custam juros mais altos do que os obtidos com a aplicação dos dólares. Além disso, reservas mais altas atraem mais dólares, não só porque dão mais segurança para o investidor externo, mas também porque desestimulam a expatriação de recursos. Quando as reservas alcançaram os US$ 100 bilhões, o Brasil chamou a atenção pelo vigor de sua economia e virou o B dos Brics. Quando chegarem aos US$ 300 bilhões, vai ser difícil impedir a invasão de dólares. Ainda se repete por aqui que são os juros altos no mercado interno que atraem moeda estrangeira que vem para especular com a diferença entre juros externos e internos (arbitragem financeira). No entanto, reservas externas atraem bem mais. Em 2006, quando estavam em US$ 86 bilhões, o Investimento Estrangeiro Direto (IED) não passou dos US$ 22 bilhões. Neste ano, com essa montanha de dólares, vai para US$ 45 bilhões (estimativa do Banco Central). Enfim, essa política pode estar com os dias contados. Mas parece improvável que mude ainda neste ano de eleições e de fim de governo. Para a atual administração pode ser mais cômodo deixar tudo para o próximo governo e para a nova diretoria do Banco Central.
Como vai atuar o bombeiro? Estão perdidos? Segunda, 7 de junho de 2010, 15h00 CNA! |
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