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Presidente da CNA apresenta premissas para atualização do Código Florestal a juízes
Desmatamento zero, pagamentos por serviços ambientais, recomposição de Áreas de Proteção Permanente (APPs) com base nas orientações da ciência e manutenção das áreas de produção consolidadas. Estas são as premissas defendidas pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para nortear os debates sobre a atualização do Código Florestal, apresentadas nesta quarta-feira (05/08) pela presidente da entidade, senadora Kátia Abreu, em palestra realizada na reunião do Conselho de Representantes da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que reúne 37 associações de juízes de todo o País.

Kátia Abreu explicou que estes pontos serão discutidos no Congresso Nacional, com o objetivo de delegar à União a definição das normais gerais e aos estados as leis específicas, de acordo com as peculiaridades de cada região. “É o que está previsto na Constituição. São 13 anos de discussão e o produtor não aguenta mais viver com insegurança jurídica. Daí a necessidade de atualizarmos a legislação”, explicou. O desmatamento zero, que seria proibido a partir da nova lei, a remuneração dos produtores pela preservação da cobertura florestal nativa na forma de reserva legal e a manutenção das áreas já consolidadas para a produção de alimentos estariam previstas em uma legislação nacional.
 

Já as APPs em encostas de rios e topo de morro constariam em legislações estaduais, com base nas definições da ciência e observando as características do solo e não com base na largura do rio. “Um estudo feito pela Embrapa mostra que a largura do rio não é determinante. O que deve ser levado em conta é o declive, a textura e a profundidade do solo”, disse. Kátia Abreu também rebateu as acusações de que o setor se desenvolveu às custas do desmatamento. “Não desmatamos. Substituímos as áreas de preservação por PIB (Produto Interno Bruto), emprego, exportação e superávit da balança. Hoje, temos 56% de vegetação original conservada e somos o segundo país do mundo em manutenção”, argumentou.
 

A presidente da CNA defendeu, ainda, que o direito adquirido dos produtores seja respeitado em relação à reserva legal, que é o percentual de vegetação original que deve ser conservado na propriedade rural. “No Cerrado, por exemplo, muitos produtores consolidaram suas áreas de produção de 1975 a 1985, antes da criação da reserva”.
 

Estavam presentes no evento o presidente da AMB, Mozart Valadares Pires, e os deputados federais Ricardo Barros e Osmar Serraglio. Acompanharam a senadora no evento o vice presidente de Secretaria da CNA, Pio Guerra, os vice presidentes Executivos, Fábio de Salles Meirelles Filho, Carlos Sperotto e Júlio da Silva Rocha Júnior, além do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Norte, José Vieira.

Entidades – Durante toda a tarde, foi a vez de presidentes e representantes de várias entidades ligadas ao setor agropecuário conhecerem as premissas defendidas pela presidente da CNA para a atualização do Código Florestal: desmatamento zero, pagamento por serviços ambientais, recomposição de Áreas de Preservação permanente (APPs) com base nas orientações da ciência e manutenção das áreas de produção de alimentos que já foram consolidadas. Eles assistiram às apresentações do presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA, que falou sobre o alcance territorial da legislação ambiental e indigenista, e do consultor jurídico Roger Leal, que abordou a competência dos entes federativos na legislação ambiental. Outro palestrante foi o chefe geral da Embrapa Florestas, Helton Damin da Silva, com o tema"Propostas para Legislação Brasileira - Área de Preservação Permanente Fluvial e em Topo de Morro". "Hoje foi um primeiro encontro. As entidades vão avaliar o que apresentamos e em breve teremos um novo debate”, afirmou Kátia Abreu.       

Quinta, 6 de agosto de 2009, 11h10

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