| Sairia até barato... |
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A preservação da Amazônia tem um preço. Para evitar que a devastação continue, é necessário compensar madeireiras, mineradoras e empresas agropecuárias que avançam legalmente sobre a floresta. Também é preciso indenizar ribeirinhos e índios, que retiram seu sustento das matas. Por último, há que assegurar recursos para manter as reservas já demarcadas. Quanto tudo isso custaria? Essa questão é um dos temas da agenda da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, que será realizada em Copenhague a partir desta semana.
Ela começou a ser respondida por um artigo publicado na última edição da revista americana Science. Assinado por dezoito pesquisadores de instituições americanas e brasileiras, o trabalho estima o valor que deveria ser gasto para pôr fim ao desmatamento em um prazo de dez anos. Sua conclusão: não seria tão alto assim. No Brasil, ao fim do decênio, alcançaria 18 bilhões de dólares, no máximo. Por ano, o gasto equivale a um quarto do que se destina ao Bolsa Família. E esse é o cenário mais pessimista. Na sua versão mais otimista, a Amazônia brasileira poderia ser salva em uma década com apenas 6,5 bilhões de dólares. Os pesquisadores chegaram a esses números depois de analisar a economia, a geo-grafia e a ecologia de cada porção da Amazônia nacional. Sua primeira tarefa foi identificar as áreas dedicadas à mineração, à pecuária e à soja. Em seguida, estimaram a taxa de retorno desses negócios e os investimentos em logística passados e futuros. Ao final, cruzaram essas informações com fotografias da floresta tiradas por satélite. Para cada pixel da imagem, foi então atribuído um valor de indenização, que está relacionado ao tipo de atividade econômica desenvolvido naquele local e sua capacidade de emissão de gás carbônico, responsável pelo efeito estufa. A reparação financeira leva em conta, ainda, as perspectivas de cada região. Por isso, o modelo determina uma remuneração maior para Mato Grosso e Pará, estados nos quais a economia avançou mais – e sobre a mata. A ideia de gratificar pela conservação não é nova. O governo do Amazonas já paga 50 reais por mês aos ribeirinhos que não desmatam, mas essa quantia é inferior ao que se obtém por uma única árvore. A maior virtude do trabalho da Science é, além de fornecer um preço total, atribuir uma compensação justa para interromper a exploração da floresta. Mais: ele indica os recursos necessários para resolver questões vitais como a conversão da pecuária extensiva em intensiva. Os outros países poluidores têm de ajudar o Brasil a pagar pela preservação da Amazônia, diz o ecólogo americano Daniel Nepstad, que coordenou o estudo. Segunda, 7 de dezembro de 2009, 14h46 Veja! |
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