Menu Principal


Notice: Undefined variable: browser in /home/geosolow/public_html/modules/mod_swmenupro/functions.php on line 1593

Notice: Undefined variable: browser in /home/geosolow/public_html/modules/mod_swmenupro/functions.php on line 1593

Notice: Undefined variable: browser in /home/geosolow/public_html/modules/mod_swmenupro/functions.php on line 1593

Notice: Undefined variable: browser in /home/geosolow/public_html/modules/mod_swmenupro/functions.php on line 1593
Home arrow Notícias arrow 'Secretário de Meio Ambiente tem prazo de validade', afirma Valmir Ortega
'Secretário de Meio Ambiente tem prazo de validade', afirma Valmir Ortega
A próxima sexta-feira (29) será o último dia de Valmir Ortega, chefe da Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Sema), no governo de Ana Júlia Carepa (PT). Ele deixa a pasta em um momento tenso, em que estão sendo investigadas fraudes milionárias de seus funcionários na liberação do transporte de madeira ilegal. Em entrevista a imprensa, Ortega nega que sua saída esteja ligada a esses problemas, mas revela que o embate entre a Sema e os madeireiros força a troca no comando da secretaria. O secretário afirma, também, que há uma crise no setor de madeira: empresas teriam se expandido graças ao desmatamento ilegal, mas agora não teriam mais matéria-prima para trabalhar, graças a uma maior fiscalização.

Ortega será substituído pelo atual superintendente do Ibama no Pará, Aníbal Picanço. Veja, abaixo, os principais trechos da conversa com o secretário.
 
Imprensa- Por que você está deixando a Secretaria de Meio Ambiente do Pará?

Valmir Ortega - Eu já havia programado a minha saída para dezembro, pois três anos era um bom tempo para a minha contribuição na secretaria. Mas substituir um secretário em dezembro, em um mês que o governo está sem orçamento, seria um transtorno. Por isso, nos últimos dois meses estudamos a possibilidade de antecipar essa saída. 

  •  
    "[A saída é necessária] para a questão da segurança pessoal do secretário e para que o governo tenha fôlego de repactuar com o setor florestal. "

Mas há outros aspectos. Nesses dois anos e meio temos negociado uma agenda muito tensa com o setor florestal. Isso é fruto da transição que o setor vem passando. Até 2005, tínhamos planos de manejo aprovados em áreas públicas, oferta de madeira grande no mercado, e isso veio caindo. Com a transição [do sistema de autorização para exploração de madeira] do Ibama para a Sema, esse processo se aprofundou, criando um tensionamento muito forte com o setor florestal.

É natural que em um processo desses haja um desgaste do secretário. [A saída é necessária] para a questão da segurança pessoal do secretário e para que o governo tenha fôlego de repactuar com o setor florestal. Como eu brinquei com a governadora [Ana Júlia Carepa], em um ambiente tão tenso como o nosso, o secretário de Meio Ambiente tem prazo de validade.

Não é uma coincidência desagradável sua saída coincidir com a descoberta de um esquema de fraudes na Sema? 

  •  
    "Estamos há pelo menos um ano e meio com um forte processo de investigação sobre indícios de fraudes."

Não existe a descoberta de um esquema de fraudes, pois estamos há pelo menos um ano e meio com um forte processo de investigação sobre indícios de fraudes no setor florestal. As investigações são conduzidas em forte parceria com o MPE e MPF. Há situação de fraudes que já foram descobertas, reprimidas ou bloqueadas durante esse período todo.

O que nós descobrimos agora foi um novo tipo de fraude em dois casos apenas. Isso nos permitiu abrir uma ampla investigação sobre outros casos similares. É um tipo de fraude novo na Sema, mas que já aconteceu no Ibama, que é o lançamento indevido de crédito diretamente no sistema.

[Em relação à minha saída,] o que está acontecendo é que esse processo de substituição tem que acontecer junto com uma minirreforma que a gente está fazendo no governo. Vários secretários estão sendo substituídos. A minha leitura sobre a exposição excessiva da Sema nesse fato é que a secretaria está sendo usada como bucha de canhão para um tensionamento político com a oposição ou entre setores da base aliada que estão descontentes com essa rearrumação.

Muito leitores escrevem ao Globo Amazônia dizendo que a Sema demora muito para aprovar os planos de manejo, que autorizam o corte legal de árvores. Por que essa demora existe? 

  • "Uma ampla parcela do setor florestal cresceu em cima do desmatamento ilegal."

Essa transição [das aprovações de planos de manejo] do Ibama para os órgãos ambientais estaduais foi feita de forma abrupta. Não houve um tempo de preparo para que o órgão ambiental se estruturasse. Apesar disso, nós conseguimos aprovar um volume de projetos bastante significativo, mantendo a média do Ibama.

A crise que o setor florestal não quer reconhecer é que uma ampla parcela deles cresceu na última década em cima do desmatamento ilegal. Nós vivemos um período no Pará na década de 1990 em que o estado movimentava de 10 a 12 milhões de metros cúbicos de madeira por ano. Noventa por cento disso saído do desmatamento ilegal, de terras públicas ocupadas irregularmente.

Foi instalado um parque industrial para processar um volume [de madeira] que hoje não tem nenhuma chance de ser aprovado legalmente. No ano passado, aprovamos 3 milhões e poucos metros cúbicos, um terço do que estava disponível a quatro ou cinco anos atrás. Há uma capacidade ociosa [da indústria] pela completa impossibilidade de acessar madeira legal. Esse é o coração da crise.

Mas também há problemas de gestão. É indiscutível que os órgãos ambientais estaduais têm carência de pessoal, têm carência de capacidade técnica, têm carência de ferramental e instrumentos para operar e, portanto, nós poderíamos ter processos mais eficientes, com um tempo de resposta melhor.


 

Globo Amazônia.
Previsão do Tempo
© Todos os direitos reservados