| Um apelo à Convergência |
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Conflitos de interesses são inevitáveis entre produtores rurais e ambientalistas, mas o acirramento e o prolongamento dessas divergências, motivadas pelo radicalismo, causam prejuízos ao Brasil, como danos à natureza e declínio da produção. Se os antagonistas não forem capazes de entender os direitos e os interesses um do outro, se não tiverem disposição de dialogar e, sobretudo, não usarem a sensatez para respeitar estudos técnicos idôneos, teremos problemas ainda mais graves. Para o bem do país, chegou a hora do diálogo sincero, sem pré-condições, sem pontos inegociáveis, pois as divergências são superáveis: é possível compatibilizar a preservação ambiental com a produção agrícola. Para alcançar esse objetivo, precisamos trabalhar juntos pela reforma da ordenação jurídica ambiental. Existem mais de 16 mil leis, normas, portarias. Muitas se sobrepõem, outras se contradizem. Algumas estão obsoletas, ficaram desatualizadas, mas permanecem em vigor e criam situações bizarras: se forem aplicadas, como cobram os radicais, todos os cafezais de Minas Gerais e todas as plantações de maçãs de Santa Catarina são ilegais,., porque estão em terrenos de aclive superior a 45 graus. Pela lei, deveriam ser erradicados e a área replantada com vegetação nativa. Ora, qualquer pessoa de bom-senso) sabe que se trata de uma medida inexequível. As repercussões econômicas e sociais seriam extremamente graves. Numerosas famílias iriam à ruína. Massas de produtores e empregados se mudariam para as cidades. Haveria riscos de desabastecimento dos dois alimentos. Além disso, seria uma medida inócua, pois essas plantações não causam danos ambientais. Então, é necessário negociar a permanência dessas e outras culturas, respeitando o uso antrópico já consolidado das terras ocupadas. Essa e outras centenas de leis foram feitas sem (fundamento) científico rigoroso, sendo, portanto, baseadas em percepções equivocadas e viabilizadas pela mobilização política que quase sempre conta com celebridades do show business. Sem obter ganhos ambientais, apenas atravancam o desenvolvimento de regiões carentes, privando a população do desfrute de uma vida melhor. Em vez do homem sofrido, tem prioridade uma preservação contestável. Um exemplo pode ser encontrado no Norte de Minas. No final da Mata Atlântica, cuja importância e existência são inquestionáveis, começa uma vegetação denominada Mata Seca. Pois não é que, mesmo sem comprovação científica consistente, a Mata Seca passou a ser considerada Mata Atlântica também. Não foram respeitados estudos e pesquisas, que mostram diferenças consideráveis, refutando essa pretensa similaridade. A área, que corresponde a 2,89% do território mineiro, fica na transição do Cerrado para a Caatinga, e a maior parte da vegetação é típica de região com deficiência hídrica. Isso precisa urgentemente ser corrigido. Quarta, 3 de amarço de 2010, 13h01 * Roberto Simões - Presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais - FAEMG. Artigo publicado no Jornal Estado de Minas. |
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Fonte: CPTEC